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Ou a gente escreve ou essas coisas vão ficar perdidas no tempo para sempre. Eu costumo dizer que as coisas e os fatos existem enquanto nos lembramos deles. Quando não há mais quem se lembre, eles simplesmente desaparecem, e é como se nunca tivessem existido. Aqui ficam registradas portanto, algumas façanhas do pequeno João Pedro, hoje com 15 anos, meu irmãozinho caçula tão querido e extremamente paparicado. Os posts vão até o ano de 2004, quanod o JP tinha 6 anos.

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Soteropolitana, bairrista, escritora desde os 8 anos, noveleira, conrintiana, louquinha pelo Paul McCartney. Amo muito chocolate e beijo na boca (do meu marido, claro!) 

Monday, January 06, 2003

RITUAIS TIPICAMENTE MASCULINOS

É, homem é homem. Em qualquer lugar e com qualquer idade. O pequenino João Pedro tem apenas 6 anos e já faz uso de comportamentos e rituais de iniciação tipicamente masculinos. Sabe aquele tipo que morre de dor e continua gritando: “Eu tou bem! Eu tou bem! Não me socorra! Estou muitíssimo bem!”

Ou aquele que se perde na estrada, mas todas as vezes que a mulher sugere que eles olhem o mapa ou peçam informação a algum transeunte, ele dispara “Eu não es-tou per-di-do.”

E então tira vantagem quando em presença de outros machos da espécie: “Quantas facadas você já levou sem gritar?”



A gente estava jogando bola. Ele tentou me driblar, pisou na bola e caiu. Ralou o dedão. Antes mesmo de dar-se conta do que aconteceu, sua reação foi querer me bater quando eu tentei levantá-lo. “A CULPA FOI SUA!” gritou com raiva.

“Ô, seu otário, tou tentando te ajudar! Deixa eu ver o pé.”

Quando ele viu o dedão ralado, escondeu logo. “Ta tudo bem.”

“Ta não, meu filho, tem que limpar, botar bandaid...”

“EU TOU BEM!!!!”

“Ta bom. Ta bom. Vc ta bem. Eu vou sentar um pouco porque tou cansada. Se vc quiser descansar também, pode vir.”

Deixei o guri brincando sozinho. Aí, aparece um outro pirralhinho menor que ele e me pede pra brincar. Eu disse que ele falasse com o dono da bola.

“Posso brincá?”

“Depende. Você consegue ralar o dedo e não chorar que nem eu?”

Janeiro/2003 (6 anos e 3 meses)